Coluna de Mara Caballero em O Globo
Ele voltou. Depois de dois anos longe do público, Laurent volta a abrir um restaurante em São Paulo. O ponto é ótimo: na alameda Lorena, em frente ao Antiquarius. E o momento é o melhor possível: mestre Laurent voltou a dar sentido à arte da gastronomia, nesses tempos de “cozinha de liquidificador, misturar por misturar” como ele diz. Dar sentido e dar sabor. Provei uma mousse de ouriço do mar com emulsão de coentro e telha de feijão fradinho que é a síntese de sua cozinha, o uso da técnica com produtos locais. Mas a tradição também vai ter vez no novo Laurent. “Aos domingos, vou botar panela na mesa, cortar carnes na frente do cliente. As pessoas estão sentindo falta de uma cozinha de família”. Família francesa, bien entendu.

Conversar com Laurent me lavou a alma. Ele teceu os maiores elogios ao Rio (“Todo o movimento da gastronomia no Brasil começou no Rio, há 20 anos”), ao nosso querido José Hugo Celidônio (“Grand gourmand, gourmet e cozinheiro amador que se tornou um grande restaurateur. Foi o primeiro a trazer chefs ao Brasil”) e disse o que eu, que não olho a balança há dias, queria ouvir: “Acho horrível essa preocupação exagerada em não comer farinha e não comer ovo. Muitos esquecem que antes de ser magro e bonito tem que ser feliz. Estou cansado de ver gente bonita que está infeliz e vai procurar a felicidade em coisas que não são realmente prazerosas”. Meu ídolo!

(Texto extraído da coluna Mara Caballero do jornal O Globo 17/Maio/03)