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Biografia

Laurent Suaudeau

Chef de Cuisine

Sempre que lhe perguntam se está contente com a profissão que escolheu, o chef Laurent Suaudeau responde que sim, pois felizes aqueles, como ele, que fazem na vida o que gostam. E Laurent gosta de cozinhar. Para ser cozinheiro, é fundamental que a pessoa goste de cozinhar e de comer, e que tenha o dom, o início de tudo nesta profissão. É necessário que tenha tido bons mestres, uma formação sólida, habilidade gestual, capacidade de reflexão e identidade cultural. Por resumir tudo isso, Laurent é um dos mais renomados chefs de cozinha em nosso país, tendo se notabilizado pela delicadeza, sabor e textura de seus pratos, preparados a partir da mistura da clássica cozinha francesa com ingredientes típicos brasileiros.  

Nascido em Cholet, na França, desde pequeno ele mostrava inclinação para a cozinha. Depois, quando estava com uns 13 anos, ajudava nas férias escolares uma de suas tias, Raymonde, que tinha uma mercearia onde vendia frango assado e batata frita. Descascava de 50 a 60 kg de batata pela manhã, cortava, fritava  vendia e ainda cuidava dos frangos na grelha. Nada mal para um adolescente!   

O aprendizado começou para valer aos 15 anos, quando o pai conseguiu um lugar para ele em um restaurante administrado pelo chef Yvon Garnier. Continuou os estudos em uma escola técnica de culinária, onde conheceu outro mestre extraordinário, Jean Guerin, que lhe abriu as portas do mundo da alta gastronomia. Por indicação de Guerin, foi chamado para trabalhar com o renomado chef Michel Guerard, dono do Les Pres et lês Sources e do L’Oustau de Beaumanière, na Provence. Assim, aos 17 anos Laurent era o mais jovem integrante da brigada de Guerad, que naquele ano conquistou a terceira estrela no Guide Michelin. 

Depois de passar ainda pelo restaurante Le Chapon Fin, de Jean Ramet, em Bordeaux, completou sua formação com o grande chef Paul Bocuse, no seu famoso restaurante em Collonges-au-Mont-d’Or, perto de Lyon. O mestre reconheceu o talento do jovem Laurent e convidou-o em dezembro de 1979 para um outro desafio: chefiar a cozinha do Le Saint-Honoré, no Hotel Méridien, no Rio de Janeiro. Ele chegou ao Brasil no início de 1980, com apenas 23 anos.

Começou aí uma nova etapa na vida de Laurent Suaudeau. A fama do jovem chef logo ultrapassou o Rio de Janeiro, ampliada em notícias publicadas por jornais de circulação nacional e também na Fança. Ele conheceu ingredientes novos, como a mandioquinha, que interpretou com a técnica francesa e colocou imediatamente no cardápio do Le Saint-Honoré.   

Em 1986, abriu seu próprio restaurante, o “Laurent”, logo depois considerado o melhor restaurante do Rio. Mereceu ainda a cotação máxima no Guia Quatro Rodas. O trabalho de Laurent chamou a atenção de todos. Em 1988 recebeu a Honraria de Amigo e Cidadão da Cidade do Rio de Janeiro das mãos do Governador do Estado. Dois anos depois ganhou do Governo do Estado do Rio o Título de Embaixador do Rio de Janeiro, recebendo a medalha de Mérito Internacional.

Em 1991 o chef mudou-se para São Paulo, onde conduziu até 2000, com grande sucesso, a cozinha de seu novo restaurante “Laurent”, freqüentado pelos grandes apreciadores da cozinha francesa. O restaurante Laurent sempre teve a cotação máxima no prestigiado guia Quatro Rodas e no ranking da Revista Veja.

Em 1994 fundou a ABAGA (Associação Brasileira da Alta Gastronomia), que presidiu por quatro anos. Fez o Brasil passar a integrar a EuroToques, organização rigorosa em relação a alimentos, que até então tinha como associados somente o Japão, Estados Unidos e países europeus.

Nesse período, Laurent recebeu diversos convites para cozinhar para diferentes personalidades. Em 1997, por exemplo, a convite do presidente Fernando Henrique Cardoso, executou no Palácio da Alvorada o jantar de gala oferecido ao presidente francês Jacques Chirac. Durante a passagem do presidente francês pelo Brasil, o presidente Fernando Henrique também condecorou o chef Laurent com a Ordem do Rio Branco, no grau de Cavaleiro, em reconhecimento de seu trabalho na formação de jovens cozinheiros no país. 

Em 14 de julho de 1997, data de aniversário da Revolução Francesa, Laurent foi condecora do pelo Governo Francês como Chevalier de L’Ordre du Mérite Agricole. A medalha foi entregue pelo Cônsul Jean Levi, que mencionou entre os méritos da missão de Laurent no Brasil, a difusão da cultura gastronômica francesa, o trabalho de verdadeiro artesão na criação de seus menus e a contribuição para elevar o nível da culinária no país. Alguns anos depois, em 14 de julho de 2006, o governo francês o elevou a Oficial da mesma ordem. A medalha lhe foi entregue pelo Cônsul Jean Marc Gravier., concedendo a Laurent os mesmos méritos citados acima.

O chef também foi presidente do Comitê Consultivo do Programa de Formação de Cozinheiros da Instituição SENAC, em um convênio com o The Culinary Institute of America – Cia, de Nova York, por 13 anos (1992 a 2005). Em 1995 ele lançou o livro “O Sabor das Estações” – 1ª edição e em 1997 a 2ª edição.

Desde 1996 é presidente de Honra e Organizador do Laurent Gourmet Show, onde realiza o maior concurso de culinária do Brasil. Este evento faz parte da Fispal Alimentos, a maior feira de indústria alimentícia da América Latina, realizada anualmente em São Paulo.

Mas o maior reconhecimento do trabalho de Laurent Suaudeau foi feito pela clientela fiel de seus restaurantes. A imprensa traduziu isso em prêmios. Em 2000, o Laurent da Alameda Jaú, em São Paulo, foi eleito pelo 4º ano seguido pela Revista Veja o “melhor Restaurante Francês da cidade”. No mesmo ano,a revista Gula escolheu Laurent o “Chef do Ano”.

De maio de 2003 a dezembro de 2004 o Laurent da Alameda Lorena fez história ao acumular os sete principais prêmios da gastronomia num mesmo ano: 

  • Revista Gula (Chef do Ano de 2003 e Melhor Restaurante Francês de São Paulo em 2003 e 2004) 
  • Revista Veja São Paulo  (Chef do Ano de 2003, Melhor sobremesa de São Paulo de 2003 e Melhor Restaurante Francês de São Paulo de 2003 e 2004)
  • Guia 4 Rodas (Chef do Ano de 2003; o Restaurante recebe “Três Estrelas”, passando a fazer parte do seleto grupo de cinco restaurantes triestrelados no Brasil)

A par do trabalho no restaurantes o chef Laurent entendeu que era hora de dividir com o público toda a experiência adquirida em mais de 30 anos no manejo das panelas e ampliar a formação de novos cozinheiros. Assim, em 2000 em fundou em São Paulo a Escola das Artes Culinárias Laurent. Hoje a EAC é vista como um ícone do aprendizado técnico na área da culinária. Junto à escola  funciona o Espaço Cultural Laurent, destinado a eventos sociais e corporativos de grande sucesso.  

Em 2004, Laurent passa a ser “Maître Cuisinier de France”, organização que reúne os melhores chefs franceses em atividade pelo mundo. Em outubro do mesmo ano ele lançou o Livro “Cartas a um Jovem Chef”- já na 5ª. edição, dirigido à nova geração de cozinheiros. Um novo projeto foi lançado em outubro de 2008, a Vipiteno Gelato e Caffé. Sucesso, a casa ganhou o premio de melhor sorveteria de São Paulo pela Revista Veja em 2009 e 2010.  

As atividades do chef Laurent não param por aí. Ele atua também como consultor gastronômico, dá palestras e presta assessoria a restaurantes e hotéis. Através da sua empresa Arts de La Table, realiza eventos em residências e em espaços reconhecidos de São Paulo, como a Fórmula 1; em outros Estados do Brasil e no exterior, em feiras  como Sial, na França, e Anuga, na Alemanha. Mas qualquer que seja a atuação, é sempre em torno da culinária. Tantos anos depois, o chef Laurent ainda mantém o “feu sacré”, o fogo sagrado que alimenta a profissão. Dele se pode dizer o que vale para uns poucos: “Esse cara nasceu para cozinhar”.